quarta-feira, 21 de novembro de 2007

"A vantagem de ter péssima memória
é divertir-se muitas vezes com as mesmas coisas boas
como se fosse a primeira vez."

[Friedrich Nietzsche]

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

"O amor só é lindo, quando encontramos alguém que nos transforme no melhor que podemos ser."

[Mário Quintana]

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

REST IN PEACE

há dias
em que vadias
idéias passam
nas passarelas
da minha mente
demente

há noites
em que açoites
de pensamentos
despertam sentimentos
no meu coração
sem ação

na madrugada
nada
nenhum pesadelo
nem sonhos risonhos
até amanhã
de manhã
"Não pense que a pessoa tem tanta força assim a ponto de levar qualquer espécie de vida e continuar a mesma. Até cortar os defeitos pode ser perigoso - nunca se sabe qual o defeito que sustenta nosso edifício inteiro...há certos momentos em que o primeiro dever a realizar é em relação a si mesmo. Quase quatro anos me transformaram muito. Do momento em que me resignei, perdi toda a vivacidade e todo interesse pelas coisas. Você já viu como um touro castrado se transforma em boi. Assim fiquei eu...Para me adaptar ao que era inadaptável, para vencer minhas repulsas e meus sonhos, tive que cortar meus grilhões - cortei em mim a forma que poderia fazer mal aos outros e a mim. E com isso cortei também a minha força. Ouça: respeite mesmo o que é ruim em você - respeite sobretudo o que imagina que é ruim em você - não copie uma pessoa ideal, copie você mesma - é esse seu único meio de viver. Juro por Deus que, se houvesse um céu, uma pessoa que se sacrificou por covardia ia ser punida e iria para um inferno qualquer. Se é que uma vida morna não é ser punida por essa mesma mornidão. Pegue para você o que lhe pertence, e o que lhe pertence é tudo o que sua vida exige. Parece uma vida amoral. Mas o que é verdadeiramente imoral é ter desistido de si mesma. Gostaria mesmo que você me visse e assistisse minha vida sem eu saber. Ver o que pode suceder quando se pactua com a comodidade da alma".

[Clarice Lispector]

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

INUTILIDADE PÚBLICA - Desabafo de um fã de Gilmore Girls

Primeiro, me apresentaram um seriado com um nome um pouco estranho: "Gilmore Girls". Daí pensei: "Deve ser um daqueles seriados adolescentes chatinhos...", mas mesmo assim, dei uma chance para o novo programa da Warner Channel.

Logo de cara, o humor inteligente e os diálogos sagazes das protagonistas Lorelai e Rory me fascinou. Elas eram belas, sarcásticas, bem-humoradas, com uma pitada de histeria. Perfeitas!! Pouco a pouco, fui me afeiçoando a vê-las toda quinta-feira à noite na telinha, acompanhando suas sagas: de um lado, Lorelai e suas preocupações em como criar bem sua filha sendo mãe solteira, em como lidar com seus pais solicitando cada vez mais e mais atenção, em como arranjar um cara bacana que entenda sua posição de empresária bem sucedida e mulher independente, em como gerenciar sua pousada charmosíssima. Do outro lado, acompanhei toda adolescência de Rory, primeiro beijo, primeiro namorado, primeira transa, os desafios de Yale, a busca pelo primeiro emprego, as amizades, as inimizades... As duas já faziam parte da família! Eu chorava, eu sorria, eu me preocupava de ir dormir com rugas na testa pensando se o problema "x" ou "y" iria se resolver no próximo episódio, e me corroía todo de ter que esperar até a próxima semana!

E então, de repente, chega a última temporada e, pior, o último episódio da última temporada! Resumindo, Rory encontra um mega-emprego dos sonhos e deve acompanhar o Presidente dos EUA em sua comitiva por todo o mundo. Lorelai finalmente se entende com Luke - por quem sempre foi apaixonada, quem é esperto deve ter notado! - e fica triste em Stars Hollow lamentando a partida da filhota. E tudo termina com um último café na lanchonete do Luke, com as duas sentadas à mesa e o Luke servindo-as, com uma câmera que vai dando um "zoom out" até mostrar a lanchonete do lado de fora com todos dentro num ângulo que lembra a moldura de um quadro.

Desliguei o televisor com lágrimas nos olhos e muita revolta!

Isso não pode terminar assim!!! Eu quero saber se o Luke e a Lorelai vão realmente casar! Eu quero saber como será o vestido da Lorelai - se é que ela usará vestido de noiva! Eu quero saber se a Rory vai casar! Ela terá filhos? Se sim, eu quero saber o nome deles! Menino ou menina? Eu quero acompanhar a ultrasonografia!! Eu quero saber se a Lorelai vai virar uma mega-empresária do ramo de hotelaria! Eu quero saber se ela terá filhos com o Luke! Quero saber tanta coisa! Eu não quero ficar órfão de Gilmore Girls!!!!

Mas não tem jeito...

O negócio agora é esperar esse vazio desaparecer aos poucos e encontrar outras garotas, ou garotos, de algum outro seriado, para adotar na família e torcer para que haja mais temporadas do que houve para as garotas Gilmore.

Se cuidem, meninas! Vocês são demais.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

CONTO DE FADAS PARA MULHERES DO SÉCULO XXI [Luis Fernando Veríssimo]

Era uma vez, numa terra muito distante, uma linda princesa, independente e cheia de auto-estima que, enquanto contemplava a natureza e pensava em como o maravilhoso lago do seu castelo estava de acordo com as conformidades ecológicas, se deparou com uma rã. Então, a rã pulou para o seu colo e disse:

- Linda princesa, eu já fui um príncipe muito bonito. Uma bruxa má lançou-me um encanto e eu transformei-me nesta rã asquerosa. Um beijo teu, no entanto, há de me transformar de novo num belo príncipe e poderemos casar e constituir lar feliz no teu lindo castelo. A minha mãe poderia vir morar conosco e tu poderias preparar o meu jantar, lavarias as minhas roupas, criarias os nossos filhos e viveríamos felizes para sempre...

Naquela noite, enquanto saboreava pernas de rã à sautée, acompanhadas de um cremoso molho acebolado e de um finíssimo vinho branco, a princesa sorria e pensava:

- Nem fudendo!

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Sem tempo prá nada...
Nem prá me sentir cansado...
Ultimamente,
Minha vida é um emaranhado.
Mas tô feliz!

=]

sábado, 11 de agosto de 2007

NÃO EXISTEM HOMOSSEXUAIS [João Pereira Coutinho, da Folha de S. Paulo]

Acreditar que um adjetivo se converte em substantivo é uma forma de moralismo pela via errada.

NÃO CONHEÇO homossexuais. Nem um para mostrar. Amigos meus dizem que existem. Outros dizem que são. Eu coço a cabeça e investigo: dois olhos, duas mãos, duas pernas. Um ser humano como outro qualquer. Mas eles recusam pertencer ao único gênero que interessa, o humano. E falam do "homossexual" como algumas crianças falam de fadas ou duendes. Mas os homossexuais existem?
A desconfiança deve ser atribuída a um insuspeito na matéria. Falo de Gore Vidal, que roubou o conceito a outro, Tennessee Williams: "homossexual" é adjetivo, não substantivo. Concordo, subscrevo. Não existe o "homossexual". Existem atos homossexuais. E atos heterossexuais. Eu próprio, confesso, sou culpado de praticar os segundos (menos do que gostaria, é certo). E parte da humanidade pratica os primeiros. Mas acreditar que um adjetivo se converte em substantivo é uma forma de moralismo pela via errada. É elevar o sexo a condição identitária. Sou como ser humano o que faço na minha cama. Aberrante, não?
Uns anos atrás, aliás, comprei brigas feias na imprensa portuguesa por afirmar o óbvio: ter orgulho da sexualidade é como ter orgulho da cor da pele. Ilógico. Se a orientação sexual é um fato tão natural como a pigmentação dermatológica, não há nada de que ter orgulho. Podemos sentir orgulho da carreira que fomos construindo: do livro que escrevemos, da música que compusemos. O orgulho pressupõe mérito. E o mérito pressupõe escolha. Na sexualidade, não há escolha.
Infelizmente, o mundo não concorda. Os homossexuais existem e, mais, existe uma forma de vida gay com sua literatura, sua arte. Seu cinema. O Festival de Veneza, por exemplo, pretende instituir um Leão Queer para o melhor filme gay em concurso. Não é caso único. Berlim já tem um prêmio semelhante há duas décadas. É o Teddy Award.
Estranho. Olhando para a história da arte ocidental, é possível divisar obras que versaram sobre o amor entre pessoas do mesmo sexo. A arte greco-latina surge dominada por essa pulsão homoerótica. Mas só um analfabeto fala em "arte grega gay" ou "arte romana gay". E desconfio que o imperador Adriano se sentiria abismado se as estátuas de Antínoo, que mandou espalhar por Roma, fossem classificadas como exemplares de "estatuária gay". A arte não tem gênero. Tem talento ou falta de.
E, já agora, tem bom senso ou falta de. Definir uma obra de arte pela orientação sexual dos personagens retratados não é apenas um caso de filistinismo cultural. É encerrar um quadro, um livro ou um filme no gueto ideológico das patrulhas. Exatamente como acontece com as próprias patrulhas, que transformam um fato natural em programa de exclusão. De auto-exclusão.
Eu, se fosse "homossexual", sentiria certa ofensa se reduzissem a minha personalidade à inclinação (simbólica) do meu pênis. Mas eu prometo perguntar a um "homossexual" verdadeiro o que ele pensa sobre o assunto, caso eu consiga encontrar um no planeta Terra.