terça-feira, 8 de maio de 2007

"Vida louca vida
Vida breve
Já que eu não posso te levar
Quero que você me leve..."

[trecho de "Vida Louca Vida", do Cazuza]

segunda-feira, 7 de maio de 2007

"Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta."


[trecho do poema "Motivo", de Cecília Meireles]

AUTO-CELEBRAÇÃO

a música doce para os ouvidos,
o primeiro raio de sol da manhã,
o sorriso nos olhos escondido,
o cheiro doce da hortelã.

o início da colorida primavera,
o primeiro beijo de amor
o gemido, o suor e saliva,
do primeiro gozo, o torpor.

a luz encantada do luar
o refresco da água do açude
o salgado da água do mar
a vida em toda sua plenitude,

enfim me encontro,
eu sou o amor...

domingo, 6 de maio de 2007

TEM QUEM QUEIRA [Rita Ribeiro]

Amigo se andas triste
vai pra uma brincadeira
se você não quer tem quem queira
se é por falta de dinheiro
te dou trabalho na feira
se você não quer tem quem queira
se teu caso é mulher
tem a maria moreira
se você não quer tem quem queira
ela gosta é de ti
e é uma mulata faceira
se você não quer tem quem queira
se te dou esse conselho
é pra tu sair dessa asneira
se você não quer tem quem queira

O amor é muito bonito
e ele não tem pasmaceira
se você não quer tem quem queira
por tanto não bota fora
a tua alegria brejeira
se você não quer tem quem queira
vai viver a tua vida
que ela é breve e passageira
se você não quer tem quem queira

[Composição: Antônio Vieira]
Benditos sejam os fortes de espírito, os decididos ainda que equivocados, os cheios de atitude ainda que não das melhores. Benditos sejam os de mão na massa, pé na tábua, café no bule e os que não viram coadjuvantes da própria vida. Benditos os que estão de um lado ou outro do muro, os que pulam o muro para mudar de lado, mas se sentem incômodos em cima dele. Benditos os que falam, os que dizem, os que contam, os que confessam, os que revelam, ainda que mais tarde tenham de lidar com um certo receio de ter se excedido. Benditos os excedidos, os excessivos, os exagerados, os demasiados, os desmesurados que não se contentam com a míngua da infinita ponderação, que não se tornam reféns das infindáveis variáveis. Benditos os livres para errar e acertar de vez em quando, que não se encarceram no futuro, no quem sabe, no talvez e no quase. Benditos os que erram e refazem, os que fazem de novo e erram novamente e que voltam a fazer para acertar uma hora dessas. Benditos os que têm pressa, de vida, de amor, de felicidade, de inspiração, de paixão, de sexo, de alegria, que sabem que o segundo é um já que está quase deixando de ser e não volta jamais, que aquela felicidade que não levamos conosco, que não desabrochou ali, que não pegamos à unha e olhamos nos olhos, perdeu-se e esgotou-se num avesso que não existe mais. Benditos os famintos de mundo, de olhos, de bocas, de céu, de outros lugares e outras gentes, de ser tudo de si o quanto antes.

["Mil Vezes", texto maravilhoso copiado do blog Mme.Mean]

sábado, 5 de maio de 2007

DURMA, MEDO MEU [Fernando Anitelli]

Todo o chão se abre
No escuro, se acostuma
Às vezes a coragem é como quando há nova lua
Somos a discórdia
E o perdão
E nos esquecemos da cor que tinha o céu.
Assim como a saudade
Ou uma frase perdida
Durma, Medo Meu
Durma, Medo Meu

Um "não",
Às vezes um "não sei".
Janela, madrugada, luz tardia
E o medo nos acorda
Pára e bate o coração
Em pura disritmia
O medo amedronta o medo
Vela, madrugada, dia.
Assim como a saudade
Ou uma frase perdida
Durma, Medo Meu
Durma, Medo Meu
"... troco duas pernas em bom estado de conservação
por um par de asas bem voadas."

[Armando Nogueira]

DOCE CANCÃO [Cecília Meireles]

Pus-me a cantar minha pena
com uma palavra tão doce, de maneira tão serena,
que até Deus pensou que fosse felicidade - e não pena.

Anjos de lira dourada debruçaram-se da altura.
Não houve, no chão, criatura de que eu não fosse invejada,
pela minha voz tão pura.

Acordei a quem dormia, fiz suspirarem defuntos.
Um arco-íris de alegria da minha boca
se ergue apondo o sonho e a vida juntos.

O mistério do meu canto, Deus não soube, tu não viste.
Prodígio imenso do pranto:
- todos perdidos de encanto, só eu morrendo de triste!

Por assim tão docemente meu mal transformar em verso,
oxalá Deus não o ausente,
para trazer o Universo de pólo a pólo contente.